Edgar Morin

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Edgar Morin

Post  wodouvhaox on Wed Feb 08, 2012 7:39 am

Nascido em 8 de julho de 1921, Edgar Morin graduou-se em Economia Política, História, Geografia e Direito. Publicou, em 1977, o primeiro livro da série O Método, no qual inicia sua explanação sobre a teoria da complexidade. Em 1999, lançou A Cabeça Bem-Feita (Ed. Bertrand Brasil) e Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro (Ed. Cortez), além de outros três títulos sobre educação.

Reformar o pensamento. Essa é a proposta de Edgar Morin, estudioso francês que passou a vida discutindo grandes temas. Pai da teoria da complexidade, minuciosamente explicada nos quatro livros da série O Método, ele defende a interligação de todos os conhecimentos, combate o reducionismo instalado em nossa sociedade e valoriza o complexo.

A palavra complexidade pode, de início, causar estranhamento. O ser humano tende a afastar tudo o que é (ou parece) complicado. Morin prega que se faça, com urgência, uma modificação nessa forma de pensar. “Só assim vamos compreender que a simplificação não exprime a unidade e a diversidade presentes no todo”, define o estudioso. Exemplo: o funcionário de uma fábrica de automóveis é capaz de fazer uma peça essencial para o funcionamento de um veículo, mas não chega sozinho ao produto final. É importante ressaltar que Morin não condena a especialização, mas sim a perda da visão geral.

Na educação, o francês mantém a essência de sua teoria. Ele vê a sala de aula como um fenômeno complexo, que abriga uma diversidade de ânimos, culturas, classes sociais e econômicas, sentimentos... Um espaço heterogêneo e, por isso, o lugar ideal para iniciar essa reforma da mentalidade que ele prega. Izabel Cristina Petraglia, pós-doutorada em Transdisciplinaridade e Complexidade na École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris, diz que as idéias de Morin para a sala de aula têm tudo a ver com o atual imperativo de a escola fazer sentido para o estudante. “Aprende-se mais História e Geografia numa viagem porque é mais fácil compreender quando o conteúdo faz parte de um contexto.”

No livro Edgar Morin, Izabel afirma que no mundo todo o currículo escolar é mínimo e fragmentado. Para ela, essa estrutura não oferece a visão geral e as disciplinas não se complementam nem se integram, dificultando a perspectiva global que favorece a aprendizagem. “O conjunto beneficia o ensino porque o aluno busca relações para entender. Só quando sai da disciplina e consegue contextualizar é que ele vê ligação com a vida.”

A escola, a exemplo da sociedade, se fragmentou em busca da especialização. Primeiro, dividiu os saberes em áreas e, dentro delas, priorizou alguns conteúdos. Para que as idéias de Morin sejam implementadas, é necessário reformular essa estrutura, uma tarefa complicada. “É difícil romper uma linha de raciocínio cultivada por várias gerações”, explica Ulisses Araujo, doutor em Psicologia Escolar e professor da Faculdade de Educação da Unicamp. Mas é perfeitamente possível. Um bom exemplo é pedir que os alunos usem um só caderno para todas as disciplinas. Isso acaba com a hierarquia que muitas vezes existe entre as matérias e mostra que nenhuma é mais importante que as outras. “Na verdade, todas estão interligadas e são dependentes entre si”, completa Araujo.

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Viva a simbiose de culturas

Edgar Morin

Cada cultura tem suas virtudes, seus vícios, seus conhecimentos, seus modos de vida, seus erros, suas ilusões. Na nossa atual era planetária, o mais importante é cada nação aspirar a integrar aquilo que as outras têm de melhor, e a buscar a simbiose do melhor de todas as culturas.

A França deve ser considerada em sua história não somente segundo os ideais de Liberdade-Igualdade-Fraternidade promulgados por sua Revolução, mas também segundo o comportamento de uma potência que, como seus vizinhos europeus, praticou durante séculos a escravidão em massa, e em sua colonização oprimiu povos e negou suas aspirações à emancipação. Há uma barbárie europeia cuja cultura produziu o colonialismo e os totalitarismos fascistas, nazistas, comunistas. Devemos considerar uma cultura não somente segundo seus nobres ideais, mas também segundo sua maneira de camuflar sua barbárie sob esses ideais.

Podemos nos orgulhar da corrente autocrítica minoritária de nossa cultura, desde Montaigne até Lévi-Strauss, passando por Montesquieu, que não somente denunciou a barbárie da conquista das Américas, como também a barbárie de um pensamento que “chama de bárbaros os povos de outras civilizações” (Montaigne).

Da mesma forma, o cristianismo não pode ser considerado somente segundo os preceitos do amor evangélico, mas também segundo uma intolerância histórica em relação às outras religiões, seu milenar antijudaísmo, sua erradicação dos muçulmanos dos territórios cristãos, ao passo que, historicamente, cristãos e judeus foram tolerados em terras islâmicas, mais especificamente no Império Otomano.

Falando mais amplamente, a civilização moderna nascida do Ocidente europeu difundiu pelo mundo inúmeros progressos materiais, mas também inúmeras deficiências morais, a começar pela arrogância e pelo complexo de superioridade, os quais sempre suscitaram o pior do desprezo e da humilhação do outro.

Sabedoria e modo de vida

Não se trata de um relativismo cultural, mas de um universalismo humanista. Trata-se de ultrapassar um ocidentalocentrismo e de reconhecer as riquezas da variedade das culturas humanas. Trata-se de reconhecer não somente as virtudes de nossa cultura e suas potencialidades emancipadoras, mas também suas deficiências e seus vícios, sobretudo o surto da vontade de poder e de dominação sobre o mundo, o mito da conquista da natureza, a crença no progresso como destino da História.

Devemos reconhecer os vícios autoritários das culturas tradicionais, mas também a existência de solidariedades que nossa modernidade fez desaparecer, uma relação melhor com a natureza, e nas pequenas culturas indígenas sabedorias e modos de vida.

O falso universalismo consiste em acreditarmos que somos donos do universal – aquilo que permitiu camuflar nossa falta de respeito pelos humanos de outras culturas e os vícios de nossa dominação. O verdadeiro universalismo tenta nos situar em um metaponto de vista humano que nos engloba e nos ultrapassa, para quem o tesouro da unidade humana está na diversidade de culturas. E o tesouro da diversidade cultural, na unidade humana.

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