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Post  wodouvhaox on Tue Oct 27, 2015 7:25 am



por Vanessa Barbara


Terminou em setembro a primeira temporada de Mr. Robot, uma série da emissora USA que foi aclamada pela crítica e está para ser exibida no Brasil pelo canal Space. A aceitação praticamente unânime é ainda mais notável quando sabemos o nível de exigência do público-alvo – até Edward Snowden afirmou estar impressionado com a tecnologia retratada na série e disse ser fã do programa.

O protagonista é Elliot Alderson, um hacker depressivo, antissocial e viciado em morfina que durante o dia trabalha numa empresa de segurança cibernética e à noite é uma espécie de vigilante solitário, denunciando pedófilos e outros criminosos. Em vez de fazer amigos, Elliot os hackeia, chegando ao ponto de bisbilhotar a vida pessoal da terapeuta, dos colegas e do chefe.

Após ser contatado por um homem misterioso de codinome Mr. Robot, ele se junta a um grupo de hackers anarquistas chamado fsociety – claramente baseado nos Anonymous – cujo objetivo é derrubar o sistema de uma gigantesca corporação financeira e, assim, zerar as dívidas das pessoas em todo o mundo. O discurso é assumidamente inspirado em filmes como Clube da Luta, Taxi Driver e Laranja Mecânica, com personagens deslocados e inconformistas que tentam transformar o sistema, ainda que de forma questionável.

Uma das grandes qualidades de Mr. Robot é a tentativa de captar com realismo o submundo do hacktivismo, sem precisar recorrer a clichês do gênero como nerds caricatos que teclam muito rápido e conseguem invadir um sistema em poucos segundos, depois de acompanhar uma grande barra vermelha concluindo o download e emitindo bipes metálicos. Em vez disso, Mr. Robot mostra Elliot digitando monotonamente em um terminal, usando Kali Linux e ferramentas reais como FlexiSPY, Metasploit e RSA SecurID, o que pode às vezes demorar dias e nem dar certo.

Acima de tudo, a série mostra a forma mais comum de obter informações: a engenharia social, ou seja, investigar os padrões de comportamento humano e tentar encontrar um ponto de vulnerabilidade que possa ser explorado. “As pessoas são as melhores falhas. Nunca tive muita dificuldade em hackear a maioria delas. Se você escutá-las e observá-las, suas vulnerabilidades aparecem como um letreiro de neon em suas testas”, diz Elliot.

Aí está o ponto forte da série, embora seja um pouco estranho que o personagem com fobia social seja o mais hábil em ler e manipular pessoas.

Algumas das outras subtramas são fracas e os diálogos podem às vezes soar forçados, mas nada que estrague a experiência de acompanhar o esquisito Elliot, um cara comum de olhos esbugalhados e capuz que despacha em voice-over um discurso anticorporativo dos mais virulentos, ainda que ele mesmo não saiba bem o que é real ou não.

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Série 'Mr. Robot' redefine a cultura hacker

Post  wodouvhaox on Wed Jul 13, 2016 2:46 pm

JEREMY EGNER
DO "NEW YORK TIMES"

Diferentemente da maior parte das cenas desse tipo filmadas em Hollywood, as cenas que mostram hackers em ação no thriller tecnológico "Mr. Robot", da rede USA, são tanto visualmente interessantes quanto realistas. Mas filmá-las não é assim tão fácil.

No estúdio em que a série é filmada, em Greenpoint, Brooklyn, no começo de junho, a antena de Wi-Fi improvisada para uma cena não parava de cair, a tela de um celular usado como adereço se recusava a permanecer acesa e, em um momento tenso, um laptop novo caiu da caixa e bateu com força no chão.

"Espero que vocês tenham trazido a garantia", disse a um dos produtores o astro da série, Rami Malek, vestindo o suéter preto que caracteriza seu personagem, Elliot Andersen.

Malek, 35, então soltou um palavrão, irritado. "E eu que achava que era bom nessas coisas de tecnologia!"

Momentos como esse sublinham o esforço necessário a retratar o mundo enxuto e notavelmente bem resolvido da série, criada por Sam Esmail, que retorna para sua segunda temporada em 13 de julho, quarta-feira.

Estreando na metade do ano passado como uma estranha e sombria curiosidade em uma rede mais conhecida por homens de terno e com covinhas no queixo, "Mr. Robot" se tornou uma das séries mais elogiadas de 2015. Inspirada por movimentos reais como o Anonymous e o Occupy, a história de hackers anarquistas travando guerra contra a cultura corporativa inverte o clichê do Vale do Silicio, mostrado a situação do ponto de vista dos hacktivistas: os vilões da "fsociety", em "Mr. Robot", buscam fazer do mundo um lugar melhor ao destruir suas fundações financeiras.

A primeira temporada da série lhe valeu um prêmio Peabody, entre outras honrarias, por seu apego enxuto a preocupações atuais como a perda de privacidade, diante da tirania dos smartphones e da mídia social.

Ocasionalmente, esse aspecto tópico do programa transparecia na tela: entre os acontecimentos do mundo real que ela antecipou, sem intenção mas ainda assim precisamente, estavam invasões embaraçosas de redes empresariais (Ashley Madison) e, mais tragicamente, uma morte televisada. (O episódio final da primeira temporada, em agosto, mostrava um executivo se suicidando ao vivo na TV, e sua exibição terminou adiada por uma semana depois que um atirador matou dois apresentadores de TV na Virgínia durante a transmissão de um telejornal.)

Além de Esmail, a pessoa mais responsável por definir se "Mr. Robot" será um sucesso passageiro ou um programa mais duradouro é Malek. O ator oferece um desempenho notável como Elliot, um hacker talentoso mas instável, que sofre de ansiedade social e vicio em morfina e serve de face à série de todas as maneiras concebíveis, de cartazes ao ponto de vista que o programa assume. A audiência acompanha o desenrolar da história primordialmente da perspectiva mutável, e nada confiável, de Elliot. Seu olhar forte, vibrando de intensidade em dado momento e mostrando vulnerabilidade e dor no seguinte, leva Eliot a manifestar fisicamente os temas de ansiedade e de fratura que caracterizam "Mr. Robot", de maneira tão explícita quanto o acabrunhado e inquieto Tony Soprano em "Família Soprano", ou o esguio mas problemático Don Draper em "Mad Men".

Mas ao contrário desses homens, complicados e brancos, Malek, que como Esmail tem ascendentes egípcios, personifica um momento no qual a televisão, com programas como "Orange Is the New Black", "Fresh Off the Boat" e "Transparent", enfim começa a refletir a diversidade e o multiculturalismo que definem a vida dos Estados Unidos.

Em uma série urgentemente moderna, ele é um protagonista urgentemente moderno, ainda que essa definição leve Malek a cair na risada. "Cinco ou 10 anos atrás, eu jamais teria sido considerado para protagonizar uma série", disse Malek. "Mesmo quando cheguei à audição, meu pensamento era que eles prefeririam alguém com uma aparência mais convencional, alguém que a sociedade aceitasse com mais facilidade".

A segunda temporada de "Mr. Robot" traz tanto as pressões habituais para um segundo esforço - será possível sustentar o pique da estreia? Os elogios recebidos valerão mais espectadores para o programa? - quanto desafios narrativos singulares, criados com a grande reviravolta na trama revelada no ano passado.

(Aviso: para quem ainda não assistiu, ou não assistiu inteira, à primeira temporada, spoilers adiante.)

Mr. Robot, interpretado por Christian Slater, é exposto como alucinação baseada no pai de Eliot, um dono de loja de computadores que já morreu. Embora a trama não seja única - o programa sinaliza suas dívidas para com predecessores como "Clube da Luta" -, o que vem a seguir não tem paralelo: Mr. Robot retorna como personagem central na temporada dois, como colega insistente, e ocasional antagonista, para Eliot, e que, a despeito de seu status imaginário continua a ocupar posição proeminente. "Descobrir algo assim é uma coisa", disse Malek. "Mas tomar medidas para viver com isso e administrar a questão é assunto completamente diferente".

Como disse Slater, "qualquer pessoa consegue simpatizar com essa ideia de ter uma voz dentro de sua cabeça, falando com ela, lhe dizendo o que deveria ter feito".

"Mr. Robot" não provou ser um gigante de audiência na primeira temporada, obtendo uma média de pouco mais de 2,7 milhões de telespectadores por semana, 1,4 milhão dos quais na cobiçada faixa etária dos 18 aos 49 anos; o seriado não ficou entre os 100 mais vistos nessa faixa etária em 2015. O canal USA está promovendo agressivamente a segunda temporada, em um esforço por elevar esses números, de acordo com Alex Sepiol, vice-presidente de desenvolvimento executivo da NBCUniversal. Mas o prestígio e o interesse da série são recompensa suficiente para o canal, que está em busca de audiências mais jovens e está disposto a abandonar séries mais leves como "White Collar" e "Royal Pains", e buscar programas mais sombrios.

Esta temporada a série terá 12 episódios em lugar de 10. Atores mais conhecidos, como Craig Robinson, Grace Gummer e o rapper Joey Badass, farão parte do elenco, e o USA vai exibir um programa ao vivo de comentários sobre a série, "Hacking Robot", a partir de 13 de julho.

A estreia da segunda temporada retoma a história pouco depois do grande hack com que a primeira temporada culmina: todas as dívidas do planeta foram apagadas e com isso o planeta entrou em queda livre financeira.

A nova temporada explora as consequências e preenche algumas das lacunas deixadas pela temporada anterior - não sabemos, por exemplo, como o ataque de hackers foi executado na prática - e dedica mais atenção a personagens como Angela (Portia Doubleday), amiga de Eliot, e à sua irmã, a também hacker Darlene (Carly Chaikin). "Você definitivamente terá respostas para questões deixadas pela temporada passada, mas ao mesmo tempo muitas questões novas surgirão", disse Chaikin.

Os telespectadores podem esperar um visual ainda mais sombrio, para acompanhar a desintegração mental continuada de Eliot, disse Esmail. Em uma decisão televisiva rara, ele vai dirigir todos os episódios, filmando-os em blocos - todas as cenas em uma dada locação serão filmadas de uma vez, não importa em que episódio venham a aparecer, o que é mais comum no cinema.

Esmail vê os novos episódios como o início do segundo ato em uma história que ele antecipa venha a durar quatro ou cinco temporadas. "A revelação sobre Mr. Robot não foi o fim, foi a preparação para o restante da trama", disse ele. A história real da série é a jornada de Eliot para solucionar uma crise de identidade convulsiva, e compreender a si mesmo.

"A ideia de como ele vai se reconciliar, no relacionamento com Mr. Robot - esse não só o título como o confronto central da série", disse Esmail.

Esmail não tinha trabalhado em televisão antes de "Mr. Robot", que começou como roteiro para o cinema antes que ele decidisse que a narrativa complexa funcionaria melhor em forma de série. Mas depois de testar "muitos atores excelentes" para o papel de Eliot, Esmail começou a imaginar se aquilo que havia escrito não seria cáustico demais para assistir. "Imaginei que o problema fosse o material, e que eu teria de recomeçar do zero. Eu sentia que aquele personagem estava como que gritando com todo mundo o tempo todo", ele disse.

Isso mudou quando Malek combinou ao escárnio de Elliot um calor e vulnerabilidade que sugeriam a fragilidade emocional que serve como fundação real da série. "Eu não sabia do que o personagem precisava até que Rami trouxesse esse elemento", disse Esmail.

Embora seja muitas vezes quase catatônico, no papel de Elliot, Malek é brincalhão e empolgado, em suas conversas. As vogais longas que emprega revelam traços de suas origens no sul da Califórnia. Ele cresceu no vale de San Fernando, filho de imigrantes egípcios que esperavam que ele se tornasse médico ou advogado. (O seu irmão gêmeo é professor, e sua irmã mais velha é médica.) Ele fez parte da equipe de debates de sua escola de segundo grau, mas era péssimo, conta. No entanto, um professor percebeu seu carisma e o aconselhou a tentar o teatro. O trabalho em uma montagem escolar de "Zooman and the Sign", de Charles Fuller, foi o momento em que tudo mudou.

"Naquele momento, senti uma conexão como jamais havia sentido com o meu pai, e percebi o quanto esse tipo de comunicação podia ser profundo, o quanto a arte podia ser profunda", disse Malek.

Depois de fazer faculdade em Indiana, em voltou a Los Angeles e começou a buscar papéis na TV e cinema, enquanto ganhava a vida trabalhando em restaurantes. Pontas em "Gilmore Girls" e "Medium" resultaram em papéis maiores em séries como "24" e filmes como a sequência "Uma Noite no Museu", "Crepúsculo", o drama independente "Short Term 12" e "The Master", de Paul Thomas Anderson.

Seu papel mais memorável antes de Eliot foi como um soldado cínico em "The Pacific", minissérie sobre a Segunda Guerra Mundial produzida por Tom Hanks e Steven Spielberg, entre outros. Na cerimônia dos AFI Awards, em janeiro, Spielberg chamou o ator para uma conversa e lhe disse que "Tom e eu estamos muito orgulhosos de você", relembra Malek, com um ar incrédulo, os olhos arregalados. "E eu fiquei pensando comigo mesmo que, nossa, isso não está acontecendo".

Malek nada sabia sobre a cultura hacker antes de "Mr. Robot", e continua cético quanto ao que vê como falsidade da mídia social - ele certa vez postou fotos que o mostravam em companhia de outros atores em sua conta de Instagram, mas logo as apagou. (Ela continua vazia.)

Filmes e televisão tendem a retratar os hackers de modo na melhor das hipóteses impreciso, e para Esmail é essencial que os códigos de software que aparecem na tela em "Mr. Robot" tenham pelo menos raízes em uma linguagem legítima de programação. Malek desistiu de perguntar o que eles significam já há algum tempo.

Em Brooklyn, Malek volta a revisar a cena, com os consultores cochichando conselhos sobre como ele deve digitar ("tecla, tecla, tecla, mousepad, clique clique clique, enter"), enquanto ele teclava no laptop recuperado.

Ao mesmo tempo, Male interagia com um colega de elenco e respondia à narração interna incessante de Elliot, que um assistente de direção sopra em seu ouvido por meio de um fone sem fio durante a filmagem; mais tarde, ele terá de gravar a locução dessa narração, e rodar os close-ups da digitação de códigos, que ele terá de decorar linha após linha.

Malek admite que há papéis mais fáceis na TV, enquanto me acompanhava na saída do estúdio, mas "é esse tipo de personagem que você sonha interpretar, como ator".

"Não acho que eu tenha me acomodado a isso", ele disse sobre seu estrelato incipiente. "Mas começo a perceber que sim, algo de especial está acontecendo aqui".

Fonte: Folha de São Paulo

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