Twin Peaks 2017: "imaginação de David Lynch continua inimitável"

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Twin Peaks 2017: "imaginação de David Lynch continua inimitável"

Post  wodouvhaox on Tue May 30, 2017 3:51 pm

por JAMES PONIEWOZIK DO "THE NEW YORK TIMES"

Uma das imagens mais assustadoras do novo "Twin Peaks" é uma caixa de vidro afixada a uma janela em Nova York e mantida sob constante observação caso algo entre nela. (Alerta de spoiler, mas não muito: algo entra.)

"Twin Peaks", que voltou às telas 27 anos depois de sua estreia, já não é a coisa mais nova que existe sob o sol. Mas as horas iniciais da série, familiares e inescrutáveis, ainda demonstram a capacidade de transformar o televisor em uma caixa —um portal silenciosamente ameaçador através do qual algo horripilante ou maravilhoso pode irromper na sala a qualquer momento.



A nova história é fácil de descrever em linhas gerais. O agente Dale Cooper (Kyle MacLachlan), do FBI, continua onde a série o deixou: no Black Lodge, o saguão de entrada do mundo das trevas, onde ele está aprisionado há 25 anos. (As cortinas vermelhas também continuam lá.)

Uma duplicata malévola (MacLachlan cabeludo e com jaqueta de couro) tomou seu lugar no mundo real. Para que Cooper possa escapar, seu duplo maligno precisa voltar.



Mas há muita coisa sem explicação na narrativa dispersa, o que inclui uma breve cena introdutória em Las Vegas, e exatamente quem está observando a caixa em Nova York, e por quê. Também há muitos atores ainda a ver no grande elenco —Laura Dern, Naomi Watts, Michael Cera e o retorno de Sherilyn Fenn, para citar apenas alguns nomes.

Além das apresentações, há muitos reencontros, entre as quais as de Margaret, a dama do tronco, interpretada por Catherine Coulson (que agora usa uma máscara de oxigênio); Lucy (Kimmy Robertson) e Andy (Harry Goaz), cujo filho, que vimos no útero da mãe na série original, agora tem 24 anos; Shelly (Mädchen Amick) e James (James Marshall), que trocam olhares sedutores no Bang Bang Bar.

O retorno mais comovente, porém, é o de Sheryl Lee como Laura Palmer, cuja morte coloca em ação a história original. Reparecendo para Cooper no Black Lodge, ela invoca o sorriso adolescente luminoso e condenado de seu personagem como se estivesse de fato congelada na eternidade: "Estou morta, mas continuo a viver".


ATRAÇÃO EMOCIONAL

Esse é o momento em que a estreia da nova produção mais se aproxima de recapturar a intensa atração emocional que —mais do que qualquer mistério— tornava a série original irresistível.

Por mais inventiva que tenha sido, "Twin Peaks" em sua encarnação de 1990-1991 também era um espelho de sua época, tomando emprestado elementos de novelas matutinas e seriados de detetive. Assistir à sua nova encarnação é uma forma de perceber o quanto a televisão evoluiu nos anos intervenientes.

Há sombras de "Lost" na misteriosa caixa de vidro —especialmente quando ela por fim se enche, com uma aparição mortífera em fumaça negra. Há mais que um pouco de "Fargo", na subtrama de humor negro que envolve o possível homicídio cometido por um homem de Dakota do Sul (Matthew Lillard).

Talvez haja influência demais de "True Detective" e outros dramas sombrios envolvendo homicídios, na jornada do Cooper maligno.

É claro que sugerir que "Twin Peaks" esteja tomando esses elementos de empréstimo é ridículo; na verdade se poderia dizer que os está recebendo de volta.

E, mesmo depois de quase três décadas, a imaginação visual de Lynch continua inimitável: um ás de espadas com um símbolo deformado no centro da carta; Laura removendo seu rosto, sob o qual surge uma luz fria e branca; o "braço", desta vez representado não por um anão dançarino, mas por uma árvore com uma cabeça humana purulenta.

NO COMANDO

O domínio de Lynch sobre a tensão continua. O roteiro, escrito por ele e Frost, reconhece o poder do silêncio e da antecipação. E Lynch, que está no comando de toda a produção, mantém seu apego às dualidades e a uma beleza fantasmagórica.

Há ocasiões em que parece que uma versão nostálgica da série de 1990 está alternando cenas com a versão mais fria e mais dura de 2017. Determinar como e se essas duas coisas se encontrarão pode definir se a obra virá a ser mais do que um exercício de nostalgia.

Mas há imagens marcantes em quantidade suficiente para prometer alguns meses de dificuldade para dormir.

A "Twin Peaks" original era propelida por duas perguntas: "Quem matou Laura Palmer?" e "A que diabos estou assistindo?" A nova versão não traz a primeira pergunta. Mas ainda sabe como nos levar a pensar na segunda.

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