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Post  wodouvhaox on Wed Oct 22, 2008 4:24 pm

por Gustavo Catão

Filmes, às vezes, surpreendem. Surpreendem tanto que você fica sem palavras, largado na poltrona com um sorriso mudo ao rolar dos créditos, um alguém que acabou de ver algo fantástico, extraordinário, algo absolutamente fora do comum. “Sereia” me surpreendeu. Exibido durante o Festival do Rio de 2008, este ganhador de Sundance nas categorias de melhor direção e escolha do júri consegue ser ao mesmo tempo engraçado, dramático e loucamente surreal, uma espécie de “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain” regado por muitas doses de vodca russa.
Narrado na primeira pessoa pela protagonista, Mariya Shalayeva, “Sereia” conta a vida da garota Alisa, que cresceu no litoral da Rússia sem nunca conhecer seu pai, um marinheiro. Ela vive com sua mãe, que aluga um quarto em seu barraco na praia para viajantes, e com a avó senil, que passa seus dias em uma cadeira de balanço. Alisa sonha se tornar bailarina, mas mais que isso ela sonha em sair daquela vida. Desejando fortemente que algo aconteça, a cidade onde moram é atingida por uma tempestade que deixa a família desabrigada, levando as três mulheres a se mudarem para Moscou. Em Moscou, Alisa perambula pelas ruas a procura de um destino, arranjando pequenos empregos como faxineira e seladora de envelopes, até se arranjar como propaganda ambulante, vestindo um grande celular de espuma e andando pelas ruas da cidade. Suas perambulações acabam levando Alisa a conhecer um homem que dará um novo rumo a sua vida.
A beleza deste filme da diretora Anna Melikya está em contar a história até um pouco triste de Alisa de uma maneira absolutamente otimista. E no centro desta beleza está sua protagonista, Mariya Shalayeva. O jeito tímido de uma adolescente ainda com olhar de menina combina perfeitamente com o ar distante, quase sonâmbulo que Mariya empresta tão bem à personagem Alisa, efeito intensificado por seus cabelos verdes. Pelos olhos da garota, o mundo toma uma forma mais despreocupada, mais descompromissada, e Alisa não se importa em viver numa realidade só sua, acreditando até ser capaz de fazer as coisas acontecerem apenas desejando-as.
”Sereia” tem muitos elementos de realismo fantástico, com personagens incomuns e acontecimentos igualmente incomuns, como por exemplo Sasha (Yevgeni Tsyganov), homem que ganha a vida vendendo lotes na Lua. Os sonhos da garota trazem elementos de arte moderna, com cores fortes, contrastes expressivos e formas destoantes. Quando um sonho envolve um escafandro, uma bailarina e um celular gigante brincado na praia, acho que se pode falar em surrealismo com certa segurança. E mesmo no mundo acordado, a realidade de Alisa ainda tem elementos do fantástico, como as frases nos anúncios pela cidade que sempre parecem dizer a ela algo apropriado para o momento.
O olhar otimista de “Sereia” contamina o espectador. Nem mesmo o drama de sua história é capaz de abalar o olhar inocente e o sorriso apenas do prazer em se observar um mundo tão cheio de possibilidades. Não se surpreenda se ao assistir “Sereia” você comece a sorrir ao ver um outdoor na rua te dizendo “Seja feliz”. Pois é, com filmes assim fica mais fácil.

fonte: cinemaCAFRI.com
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