Merriweather Post Pavilion - Animal Collective

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Merriweather Post Pavilion - Animal Collective

Post  wodouvhaox on Fri Feb 06, 2009 11:14 am

por Marcus Vinícius Brasil

Com seus últimos trabalhos, o Animal Collective tomou para si uma marca de rusticidade quase primitiva. Suas músicas descartam qualquer assepsia intelectualoide de estúdio para alcançar o bruto. A meta de Merriweather Post Pavillion, lançado oficialmente agora em janeiro, parece continuar a mesma de Strawberry Jam (penúltimo álbum da trupe de Baltimore): atingir o tipo mais irracional de entretenimento sônico através de faixas sem estruturas bem definidas, que contam principalmente com ritmo e pulso (mas que guardam sofisticada densidade por baixo de suas camadas, da qual falarei mais adiante).

A banda se coloca diante do pop estabelecido como um tipo de paganismo musical, e suas canções parecem viver em um tempo dionisíaco, em que a música ainda não era racionalizada por teóricos da métrica. Basta desfrutá-las da maneira mais instintiva - dançando e cantando junto - para compreender a mensagem do álbum.

PRIMITIVISMO SOFISTICADO

É por isso que se torna questionável o argumento de que o Animal Collective é vanguardista. O grupo está apenas retornando a um tipo de musicalidade sem rédeas, em que refrão e verso não são necessariamente paradigmas a serem seguidos. O resultado parece satisfatório para os músicos de Baltimore quando há sobreposição instrumental densa o suficiente para sacudir os sentidos e enganar os ouvidos.

Esse caráter movediço do disco está desde a sua capa - cujos grânulos se movem num truque ótico - até a falsa impressão de que as músicas foram compostas de maneira orgânica. Uma audição atenciosa mostra que, por baixo da psicodelia rococó do Animal Collective, as linhas de força estão nos elementos sintéticos (samples e sintetizadores em profusão).

O grande trunfo de Merriweather é compor esse truque sonoro de maneira sofisticada. As faixas não se tratam apenas de amontoados instrumentais sobrepostos. Há muita espacialidade em todas elas; sensação obtida não apenas através da reverberação insistente nos vocais de Dave Portner, mas também através das crateras abertas no arranjo e preenchidas com texturas abstratas. Ouça o intricado jogo que a banda faz com as linhas de voz em "My Girls" (uma ode à poligamia?), por exemplo, ou as micro-samples espalhadas por "Lion in a Coma".

Aliás, essas duas músicas, somadas a "Brother Sport" (um lembrete de como o Animal Collective se assemelha - de um jeito bizarro - aos Beatles), compõem a trinca mais inspirada do álbum. Elas resumem bem a equação do grupo, e reiteram sua posição como uma das maiores vozes do novo psicodélico neste começo de século. Bandas que mostram que o novo arcadismo é feito de sintetizadores e muita reverberação.

Merriweather Post Pavilion também sacramenta o caráter provocador da banda. É corrente ouvir comentários acusando os músicos de Baltimore de serem inacessíveis demais para uma sonoridade que flerta com o pop. Na contramão, defensores os saúdam como inovadores. Mas algo neste disco sugere que a intenção do grupo é justamente alfinetar esse tipo de senso comum, convidando detratores e fãs a, além de ouvir, enxergar a beleza por trás de suas camadas de hipnose narcótica.

fonte: rraurl.com
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