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Post  wodouvhaox on Thu Oct 21, 2010 3:36 pm

Gregg Araki embaralha gêneros – sexuais e cinematográficos
By: Bruno Cava

“Kaboom”, novo filme de Gregg Araki (“Mistérios da Carne”), condensa e radicaliza a obra do diretor, conhecido por capitanear o Novo Cinema Queer desde a Trilogia do Apocalipse Adolescente (“Totally Fucked Up”, “Geração Maldita” e “Nowhere”).

Na proposta new queer, trata-se menos dereafirmar uma identidade gay que, mais profundamente, desestabilizar o jogo de identidades construído pelas forças da normalidade. Política da diferença pautada pela desconstrução das dicotomias homo x hetero, homem x mulher.

Isto significa recusar rótulos no campo da sexualidade, e não por acaso o protagonista de “Kaboom” é sexualmente ambíguo, transa com homens ou mulheres dependendo da situação, com direito a ménage à trois. Nesse âmbito, o filme é tão desencanado que o voyeurismo chega a ser cara-de-pau: despe um personagem “porque não consegue dormir de roupa” e um outro “vai a uma praia de nudismo para refletir” (!).

É a mesma salada kitsch de elementos da cultura pop de sua filmografia, em cores berrantes, irrigada de vigor juvenil e sensualidade à flor da pele. Tudo é colorido: as roupas, a maquiagem, os cenários, os créditos finais.

Como noutros filmes, seus personagens são jovens “liberados” e descolados da faculdade, cujo cotidiano frívolo de festas dionisíacas e amores fugazes é perturbado por forças obscuras. Em “Geração Maldita” (1995), eram os neo-nazis. Em “Nowhere” (1997), um predador alienígena. Em “Mistérios da Carne” (2004), a abdução por aliens. Em “Kaboom”, isso é levado ao extremo com bruxaria, seitas secretas, possessão e holocausto nuclear.

Há uma desconstrução deliberadamente mirabolante do roteiro. Cada vez que o protagonista tenta compreender a trama misteriosa em que está implicado, acontecem guinadas. São tantas reviravoltas de acontecimentos e de gêneros dentro do filme – de comédia universitária a thriller, de ação a suspense, de terror à ficção científica, e vice-versa -, que não pode ser mesmo para levar a sério. Porém, não cabe criticá-lo por perder o foco, quando seu foco é a própria desestabilização narrativa. Afinal, frustrar as expectativas e multiplicar o jogo estão na raiz da política new queer.

O resultado é um amálgama “gaio” – alegre, despreocupado, colorido, ambíguo, liberado – de temas e conteúdos, que consegue tratar com leveza questões como identidade, sexualidade e alienação. Numa pós-modernidade, as demandas por reconhecimento de minorias caminham lado a lado com a política de redistribuição social. Nesse contexto, “Kaboom” assume posicionamentos libertários sem cair em identitarismo, e assim confunde os preconceitos enraizados no público.



fonte: Pipoca Moderna
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