bonobismo, a salvação da humanidade!

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bonobismo, a salvação da humanidade!

Post  wodouvhaox on Mon Apr 28, 2008 4:17 pm

A macacada da paz e do amor

Patrícia Campos Mello, Washington - O Estado de S.Paulo

- Olhando assim para um bonobo, ninguém dá nada. Para olhos leigos, ele parece só mais um chimpanzé de zoológico. Mas um connaisseur sabe que o bonobo é muito mais que um macaco - ele é a esperança de que a humanidade tenha jeito.

Está certo, o bonobo é mesmo parecido com o chimpanzé. E ambos são, digamos, nossos primos - os humanos compartilham 98% de seu DNA com esses dois primatas. Mas, como diz o holandês Frans de Waal, "chimpanzés são de Marte e bonobos são de Vênus". Waal, no caso, é um connaisseur - biólogo de formação, é o maior especialista em bonobos do mundo. Estuda primatas há 35 anos. Observa por horas a fio chimpanzés, babuínos, macacos-capuchinhos e, claro, bonobos. Faz isso em seu laboratório - o Yerkes Primate Research Center, na Universidade Emory, em Atlanta (EUA), onde dá aulas no Departamento de Psicologia - e também em zoológicos. A partir dessa experiência, já escreveu dezenas de obras sobre os animais.

Um dos grandes méritos de Frans de Waal foi ter transformado os bonobos nos bichos mais cool do mundo animal. Com seu livro Bonobo: the Forgotten Ape (sem tradução no Brasil), amplamente ilustrado com fotos eróticas, o pesquisador popularizou os macacos "paz e amor". Bonobos têm ombros mais estreitos, são mais escuros e mais eretos que os chimpanzés. Mas o visual é o de menos. O que importa é que bonobos são sensíveis e afetuosos; chimpanzés são brutos e esquentados. Bonobos são da paz, enquanto os maquiavélicos chimpanzés vivem imersos em picuinhas de poder. Entre estes, os machos dominam as fêmeas, às vezes de forma brutal. Na sociedade dos bonobos, a vida é centrada na fêmea, e os machos continuam ligados a suas mães a vida inteira.

Chimpanzés fazem guerra; bonobos fazem sexo. O tempo inteiro e de todas as maneiras, diga-se de passagem. Sexo é parte essencial dos relacionamentos sociais entre os bonobos; ajuda a dar estabilidade ao grupo e aliviar as tensões. Antes de se alimentar, os bonobos transam. Quando não há espaço e eles ficam muito juntos, os bonobos transam. Antes de dormir, os bonobos transam. Eles fazem sexo macho com macho, fêmea com fêmea, macho com fêmea, macho com jovem, fêmea com jovem. Também se masturbam e beijam de língua. Chimpanzés só dão selinho e têm relações sexuais apenas para fins de reprodução. "Bonobos têm um erotismo criativo", diz Frans de Waal. "São os únicos animais que fazem preliminares."

Essa natureza pacífica e sexual dos bonobos está no centro de uma querela filosófica: afinal, nós, humanos, somos bonobos ou chimpanzés? Muitos escritores científicos, como o inglês Richard Dawkins, acreditam que o homem seja essencialmente egoísta. Trata-se da "teoria do verniz" - todos os animais são competitivos e só pensam em seus interesses. Os humanos são a mesma coisa. Quando somos legais e altruístas, trata-se apenas de um verniz, de uma camada civilizatória criada recentemente, que freia os instintos mais baixos dos seres humanos.

Frans de Waal discorda. Em seu penúltimo livro, Eu, Primata (Companhia das Letras, 2005), Frans prega que, no nível biológico, celular, o homem possa até ser assim. Mas psicologicamente não. "Acredito que o homem herdou tendências positivas, de cooperação e socialização, que explicam por que temos moral", diz. "A moral humana não foi inventada há 2 mil anos, ela vem evoluindo, e os traços dela podem ser vistos em outros primatas." É justamente aí que entram os bonobos, animais primordialmente solidários. Descendemos de macacos "paz e amor", não de chimpanzés sanguinários, insiste Waal.

A fama desses macacos, podemos dizer, hippies cresceu tanto que os bonobos se transformaram em um fenômeno de cultura pop. Estampam camisetas e roupinhas de bebê, são homenageados em festas descoladas de Nova York, ganharam até sua sociedade de proteção ao bonobo. Há pouco mais de cem bonobos em cativeiro no mundo, diante de milhares de chimpanzés. Em liberdade, calcula-se que existam entre 10 mil e 20 mil bonobos, todos nas florestas do Rio Congo, na República Democrática do Congo, na África.

Mas será que existe uma certa lenda urbana em torno dos bonobos, ou eles são mesmo tão pacíficos assim? "Os bonobos brigam às vezes, mas eles são tão eficientes em resolver seus conflitos com sexo que acabam tendo mais relações sexuais e menos violência que os chimpanzés", ensina Frans de Waal, que foi eleito este ano uma das cem pessoas mais influentes do mundo pela revista americana Time. Segundo ele, uma das maiores provas de que os bonobos são diferentes dos chimpanzés é que não existe um único registro, em cativeiro ou em liberade, de um bonobo matando outro. Já entre chimpanzés, dezenas de casos de "assassinato" e canibalismo já foram observados.

Frans de Waal quer mudar a imagem dos ancestrais do homem, sempre retratados como chimpanzés agressivos, cheios de maquinações, sede de status e propensos à guerra. Bonobos são tão geneticamente próximos ao homem quanto os chimpanzés, ele argumenta. Existe a mesma possibilidade de descendermos de macacos sanguinários ou de primatas que têm a capacidade de cooperar.

Os bonobos "parecem com a gente em tudo", entusiasma-se o biólogo holandês. Um bonobo bebê faz muxoxo quando tem um pedido negado. No meio do ato sexual, as macacas bonobo dão gritinhos de prazer. Dois pesquisadores alemães nos anos 30, observando bonobos e chimpanzés no zoológico Hellabrunn, em Munique, chegaram à conclusão de que bonobos copulam more hominum (como homens, ou seja, estilo papai-e-mamãe), enquanto chimpanzés, more canum (como cães).

Extrapolando, poderíamos dizer: bonobos provam que Rousseau e sua teoria do bom selvagem - somos naturalmente bons, mas corrompidos pela sociedade - estavam certos; e Thomas Hobbes e sua visão de que somos egoístas contidos pelo contrato social estavam errados? "Os dois tinham visões muito extremas da humanidade", opina Frans de Waal. "Hobbes diz que os humanos estão eternamente competindo entre si, enquanto Rousseau pensa que não precisamos de ninguém." De qualquer maneira, ele diz, "o bonobo se assentaria melhor com Rousseau".

E os humanos, estão mais para bonobo ou chimpanzé? "Humanos têm um pouco dos dois - as tendências territoriais e agressivas dos chimpanzés, que muitas vezes são úteis para nossa proteção, e também uma ótima habilidade de resolver conflitos e cooperar com os outros."

Para Frans de Waal, somos uma espécie de meio-termo: temos muito do bonobo, mas nos comportamos como chimpanzés. "No fundo, no fundo, somos uns bípedes bipolares."

fonte: estadão


Last edited by wodouvhaox on Mon Apr 28, 2008 7:56 pm; edited 1 time in total
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Re: bonobismo, a salvação da humanidade!

Post  wodouvhaox on Mon Apr 28, 2008 4:41 pm

Bonobos e humanos

por Janos Biro

Até alguns anos atrás, os chimpanzés eram considerados os primatas mais próximos dos seres humanos. Mas existem primatas que se assemelham ainda mais a nós: os bonobos, ou Pan paniscus. As semelhanças genéticas entre chimpanzés e bonobos são tão grandes que os bonobos eram considerados como uma subespécie dos chimpanzés até pouco tempo atrás. Apesar disso, as diferenças comportamentais são tão grandes e tão importantes que o estudo dos bonobos pode mudar muitas concepções errôneas que temos sobre a natureza humana.

Chimpanzés são extremamente violentos. Entre os chimpanzés é comum a existência de uma hierarquia onde o macho mais forte domina os menos fortes, e os machos dominam as fêmeas. A violência e a hierarquia coercitiva dos chimpanzés são usadas para justificar várias teses a respeito da natureza humana. Muitos dizem que nossos ancestrais deveriam se comportar como eles, e que uma das grandes conquistas da humanidade foi a invenção do Estado, onde a violência pode ser contida, e a igualdade pode ser construída. Características da organização dos chimpanzés foram confundidas com características da organização humana primitiva.

Mas a descoberta dos bonobos invalida essa tese, uma vez que bonobos são pacíficos e não apresentam tal divisão hierárquica. Eles provam que não é preciso haver Estado ou qualquer contrato social para que a paz ocorra numa população de primatas. Isto é válido mesmo quando a população tem muitos membros, pois de fato os grupos de bonobos têm bem mais membros que os grupos de chimpanzés.

O que explica a grande diferença de comportamentos entre bonobos e chimpanzés não é sua natureza, pois como vimos eles são quase iguais em termos de genética. O que faz toda a diferença é sua ecologia, seu modo de vida. Chimpanzés vivem da caça, em regiões onde há escassez de vegetais. Eles se dividem em grupos pequenos, e estão em guerra permanente contra os grupos vizinhos. Toda a sua educação valoriza a violência. Os machos aprendem a bater nas fêmeas, para mantê-las submissas. A sobrevivência dos mais violentos também faz com que as fêmeas prefiram acasalar com os mais violentos, pela proteção que eles oferecem. Existem posições sociais entre chimpanzés, que podem ser conquistadas pela luta. A comida é trocada por sexo, favores ou posições sociais.

Já os bonobos vivem da coleta de vegetais. Formam grupos maiores porque não existe rivalidade entre os grupos. Quando um grupo de bonobos se encontra com outro eles fazem sexo entre si ao invés de lutar. Eles praticam sexo sem qualquer violência e sem qualquer restrição. Entre bonobos não há coerção, nem por parte dos machos nem por parte das fêmeas. Eles formam coalizões através de amizades sexuais, cooperando entre si para se proteger, embora os grupos de amizades sejam maiores entre as mulheres. Isto não ocorre entre chimpanzés para que as fêmeas não consigam se defender sozinhas, assim se tornando dependentes dos machos. Seu período fértil é de seis em seis anos, mas praticam sexo a qualquer momento, e mesmo durante o período fértil não há competição por parceiros. Entre as invenções dos bonobos estão o beijo de língua, o sexo frontal e o sexo oral.

Temos aí uma mostra de como uma diferença entre dois modos de vida, um de escassez e outro de abundância, pode determinar comportamentos sexuais. Nós, humanos, não vivemos num modo de vida de escassez. No entanto, a civilização foi projetada por povos que viviam no modo de escassez. A caça foi substituída por uma produção incessante de bens de consumo que asseguram poder, que ocorre de uma maneira não menos competitiva e que não causam menos violência aos seres humanos e demais seres vivos. O interesse em identificar nossa natureza com o comportamento dos Pan troglodytes, os chimpanzés, é justificar nosso comportamento cultural de trogloditas... Agora sabemos que isso não é uma imposição de nossa natureza, é apenas uma escolha de modo de vida. Nossa sociedade não precisa se basear na violência, ela pode se basear na brincadeira, assim como ocorre com nossos parentes paniscus.

fonte: http://umanovacultura.blogspot.com/2007/12/bonobos-e-humanos.html
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Re: bonobismo, a salvação da humanidade!

Post  Santaum on Tue Apr 29, 2008 4:29 pm

Hahahahaha...
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Re: bonobismo, a salvação da humanidade!

Post  Rev. Beraldo on Wed Apr 30, 2008 4:42 pm

é bem discordiano mesmo: o nonsense como salvação...

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Re: bonobismo, a salvação da humanidade!

Post  wodouvhaox on Thu Jun 16, 2011 9:46 am

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Re: bonobismo, a salvação da humanidade!

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